O RASTRO DE DESTRUIÇÃO DEIXADO POR EL NIÑ

O RASTRO DE DESTRUIÇÃO DEIXADO POR EL NIÑO

■ 1525: o mais antigo registro histórico sobre o fenômeno El Niño no Peru.
■ 1789-93: El Niño foi responsável por mais de 600.000 mortes na Índia e
causou uma grave fome no sul da África.
■ 1982-83: nesse período, o fenômeno causou mais de 2.000 mortes e mais
de 13 bilhões de dólares em prejuízos a propriedades, especialmente em
regiões tropicais.
■ 1990-95: três El Niños consecutivos se combinaram para formar um dos
mais longos fenômenos desse tipo já registrados.
■ 1997-98: apesar de, pela primeira vez, as predições regionais sobre
inundações e secas causadas por El Niño terem sido basicamente
bem-sucedidas, cerca de 2.100 pessoas morreram e houve prejuízos de 33
bilhões de dólares em todo o mundo.

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Pode ser previsto?

Pode ser previsto?

Os efeitos de tempestades só podem ser previstos com alguns dias de
antecedência. Será que o mesmo acontece com El Niño? Não. As previsões
de El Niño não envolvem eventos climáticos de curto prazo, mas condições
meteorológicas anormais em áreas extensas por muitos meses. Os
meteorologistas já conseguem prever a ocorrência do fenômeno El Niño com
relativo êxito.
Por exemplo, em maio de 1997 previu-se com uns seis meses de
antecedência uma ocorrência de El Niño para 1997-98. Na região tropical
do Pacífico, estão espalhadas agora 70 bóias fixas que medem as
condições do vento na superfície e as temperaturas oceânicas até uma
profundidade de 500 metros. Esses dados são introduzidos em modelos
climáticos computadorizados que fornecem previsões do tempo.
Se avisadas com antecedência sobre uma ocorrência de El Niño, as pessoas
podem se preparar para as mudanças esperadas. Por exemplo, desde 1983,
por causa das previsões de El Niño, muitos trabalhadores rurais do Peru
decidiram criar gado e cultivar plantações apropriadas para clima mais
úmido, ao passo que os pescadores deixaram a pesca tradicional de lado
para se dedicar à captura de camarão, trazido pelas águas mais quentes.
De fato, a previsão exata aliada à preparação antecipada pode reduzir os
prejuízos econômicos e a perda de vidas humanas causados por El Niño.
Em contraste, La Niña (“a menina”, em espanhol) é o resfriamento
periódico das águas ao largo da costa ocidental da América do Sul. La
Niña também tem grandes efeitos no clima.

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Como uma rocha no meio do rio

Como uma rocha no meio do rio

El Niño também pode alterar os padrões climáticos em lugares muito
distantes das correntes marinhas do Pacífico tropical. Como? Por meio do
sistema de circulação atmosférica. Um distúrbio local na circulação
atmosférica pode ter efeitos a longa distância assim como uma rocha no
meio de um rio causa ondulações que se espalham pelo rio. As pesadas
nuvens de chuva que pairam sobre a água quente do oceano tropical formam
uma obstrução na atmosfera, como uma rocha, e essa afeta os padrões
climáticos a milhares de quilômetros.
Em latitudes mais altas, El Niño intensifica e empurra as
correntes-de-jato — velozes correntes eólicas que se deslocam para
leste. São elas que guiam o deslocamento da maioria das tempestades
nessas latitudes. Visto que as correntes-de-jato se intensificam ou
mudam de direção, podem também alterar o clima das estações. Por
exemplo, nos anos de El Niño o inverno em regiões do norte dos Estados
Unidos em geral é mais ameno do que o normal; mas é mais úmido e frio em
alguns Estados do sul.

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Filho do vento e da água

Filho do vento e da água

O que causa a elevação incomum da temperatura oceânica perto da costa do
Peru? Para entender isso, analise primeiro o gigantesco movimento
circular, conhecido como Célula de Walker, que existe na atmosfera sobre
o Pacífico, entre as regiões tropicais ocidental e oriental. No oeste
(perto da Indonésia e da Austrália) o sol aquece a superfície do oceano
fazendo o ar quente e úmido subir na atmosfera, o que gera um sistema de
baixa pressão perto da superfície da água. Ao subir, o ar se esfria e
perde umidade, causando chuvas naquela região. O ar seco é então
empurrado para o leste pelos ventos da atmosfera superior. À medida que
se dirige ao leste, o ar esfria mais, fica mais pesado e começa a descer
quando chega perto do Peru e do Equador. Isso gera um sistema de alta
pressão perto da superfície oceânica. Nas altitudes mais baixas,
correntes de ar, chamadas de ventos alísios, sopram de volta para oeste,
na direção da Indonésia, fechando o círculo.
Como os ventos alísios influem na temperatura superficial da região
tropical do Pacífico? “Normalmente, esses ventos agem como uma brisa
numa lagoa”, diz Newsweek, “empurrando a água quente para o Pacífico
ocidental, de modo que a superfície do mar ali fica até 60 centímetros
mais alta e 8 °C mais quente do que, por exemplo, no Equador”. No
Pacífico oriental, a água mais fria e cheia de nutrientes que fica no
fundo vem à superfície, sustentando a vida marinha. Assim, em anos
normais, sem El Niño, a temperatura da superfície marinha é mais baixa
no leste do que no oeste.
Que mudanças atmosféricas causam El Niño? “Por razões que os cientistas
ainda não entendem”, declara a revista National Geographic, “em
intervalos de poucos anos os ventos alísios diminuem de intensidade ou
até desaparecem”. Quando esses ventos diminuem, a água quente acumulada
perto da Indonésia flui de volta para o leste, elevando a temperatura da
superfície marinha no Peru e em outros lugares a leste. Esse movimento,
por sua vez, afeta o sistema atmosférico. “O aquecimento da região
tropical do Pacífico oriental enfraquece a Célula de Walker e desloca a
zona de convecção de chuvas intensas para leste, para a região tropical
do Pacífico central e oriental”, diz uma obra de referência. Isso afeta
os padrões climáticos em toda a região equatorial do Pacífico.

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Tudo começa quando a água esquenta

Tudo começa quando a água esquenta

“Estritamente falando, El Niño é apenas a corrente de água quente que
aparece perto da costa do Peru a cada dois a sete anos”, diz a revista
Newsweek. Há mais de 100 anos, os marinheiros da costa peruana notaram
esse fenômeno. Visto que essas correntes quentes em geral aparecem perto
do Natal, foram chamadas de El Niño (“O Menino”, em espanhol), numa
referência ao Menino Jesus.
Devido ao aquecimento das águas costeiras do Peru, chove mais no
continente, fazendo os desertos florir e o gado engordar. Chuvas
torrenciais também causam enchentes na região. Além disso, a camada mais
quente na superfície da água do mar impede que as águas profundas, mais
frias e cheias de nutrientes, subam à tona. Em conseqüência disso,
muitas criaturas marinhas e até algumas aves migram em busca de
alimento. Os efeitos de El Niño são subseqüentemente sentidos em regiões
distantes da costa peruana.

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O que é El Niño?

O que é El Niño?

Apesar de normalmente estar seco naquela época do ano, o rio Apurímac
(perto de Lima, Peru) levou tudo o que Carmen tinha. Ela lamentou: “Há
muitos nessa situação. Não sou a única.” Mais ao norte, chuvas
torrenciais transformaram temporariamente um trecho do deserto litorâneo
Sechura no segundo maior lago do Peru, com uma área de cerca de 5.000
quilômetros quadrados. Em outras partes do mundo, inundações recordes,
ciclones destrutivos e secas terríveis causaram fomes, epidemias,
incêndios florestais e danos a plantações, a propriedades e ao meio
ambiente. Qual a causa de tudo isso? Muitos culpam El Niño, que surgiu
na região tropical, ou equatorial, do oceano Pacífico perto do fim de
1997 e durou uns oito meses.
O que exatamente é El Niño? Como surge? Por que seus efeitos são tão
abrangentes? É possível prever com exatidão sua próxima ocorrência,
reduzindo assim os danos à vida e à propriedade?

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O clima é pior nos fins de semana?

O clima é pior nos fins de semana?

Muitos alemães suspeitam que no fim de semana o clima seja pior do que
no meio de semana. A análise de dados climáticos colhidos durante 15
anos, em diferentes partes da Alemanha, aparentemente prova que essa
suspeita é verdadeira, relata a revista Der Spiegel. O dia mais quente é
a quarta-feira e o dia mais frio é o sábado. No sábado, chove 10% mais
vezes do que na segunda-feira — o dia mais seco —, e o volume de chuva é
15% maior. A terça-feira tem, em média, 15 minutos de sol a mais do que
o sábado. Os pesquisadores acham que as emissões de poluentes causadas
pelo homem durante a semana vão se acumulando até o fim de semana,
refletindo a luz do sol e ajudando a formar nuvens, visto que as
partículas emitidas servem como núcleo para a condensação do vapor de
água na atmosfera.

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Um ano de condições meteorológicas ex

Um ano de condições meteorológicas extremas

“O ano de 2004, marcado por quatro furacões poderosos no Caribe e tufões
mortais que atingiram a Ásia, foi o quarto ano mais quente de que se tem
registro, mantendo uma tendência desde 1990 que registra os 10 anos mais
quentes”, diz um relatório da Associated Press. O ano passado também foi
o mais dispendioso no que diz respeito a danos relacionados às condições
meteorológicas. Estima-se que, só nos Estados Unidos e no Caribe, os
furacões tenham causado prejuízos de mais de 43 bilhões de dólares.
Tempestades e altas temperaturas em algumas regiões coincidiram com
invernos extraordinariamente rigorosos em outros lugares. Por exemplo,
em junho e julho o frio rigoroso e a neve castigaram o sul da Argentina,
o Chile e o Peru. Segundo a reportagem, “os cientistas dizem que é
provável que um aumento constante na temperatura continue a
desestabilizar o clima global”.

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Tráfego marítimo afeta clima litorâ

Tráfego marítimo afeta clima litorâneo

O tráfego marítimo em movimentadas vias navegáveis pode afetar o clima
litorâneo, relata o jornal alemão Kölner Stadt-Anzeiger. Pesquisadores
do Instituto de Meteorologia Max Planck, de Hamburgo, analisaram a
formação de nuvens sobre o canal da Mancha. Eles descobriram que as
nuvens sobre as terras litorâneas têm-se tornado menos densas, e o
contrário tem acontecido sobre as vias navegáveis. O fenômeno é
atribuído aos gases emitidos pelos navios. Acredita-se que algumas
partículas de fuligem liberadas pelos navios agem como núcleos para a
condensação, aumentando a formação de gotículas de água. “Nos últimos 50
anos, o consumo de combustível pelos navios aumentou mais de quatro
vezes”, diz o jornal.

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É preciso preparar-se para as catá

É preciso preparar-se para as catástrofes

“Segundo o World Disasters Report 1999”, diz um comunicado da Federação
Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho,
“a temporada de catástrofes naturais do ano passado foi a pior já
registrada, causando mais danos do que nunca”. Secas, diminuição da
fertilidade do solo, inundações e desmatamento obrigaram 25 milhões de
pessoas a fugir de suas terras e buscar refúgio em assentamentos
urbanos, criando “mais ‘refugiados’ do que as guerras e os conflitos”.
Os mais afetados foram os países em desenvolvimento, onde ocorreram 96%
das mortes causadas por catástrofes naturais. Nos últimos cinco anos, os
fundos das agências humanitárias sofreram uma redução de 40%. Destacando
a necessidade de mudança no modo de encarar a prontidão para enfrentar
catástrofes, o diretor da federação para política de catástrofes, Peter
Walker, comentou: “Reagir às catástrofes só quando ocorrem não está
dando certo . . . Não esperamos até a casa pegar fogo para daí levantar
fundos para o corpo de bombeiros.”

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